“O e-commerce é o futuro do Brasil”, aposta Fred Trajano, CEO do Magalu

Atualizado: Set 17


Em 2000, quando e-commerce era raro no Brasil, um executivo apostava no varejo online, tanto que chegou a ‘pagar o preço’ pela teimosia. Anos se passaram e a aposta de Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza, se realizou e continua em expansão. Nesta segunda-feira (13), Trajano conversou com Vivianne Vilela e Rodrigo Nasser, diretora de conteúdo e conselheiro do E-Commerce Brasil, respectivamente, durante o Fórum E-Commerce Brasil – Grand Connection. Confira os principais trechos da entrevista:


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Vivianne Vilela: Como estão pensando as novas lojas físicas no futuro do Magalu e como está a revolução da experiência on e off?


Fred Trajano: Há 20 anos eu estou trabalhando para integrar o on e o off. Ninguém falava disso. Até pagamos o preço por isso com as nossas ações subvalorizadas. Falavam que a loja física ia morrer. Mas construímos as pontes e hoje todas as lojas funcionam como mini centros. Temos capacidade logística em 100% das lojas, seja com retira em lojas em minutos ou com entrega em até 1 hora. Isso só foi possível com integração de canais. Acredito que não vai ter mais on e off, essa divisão ficou para trás.


Rodrigo Nasser: Como é manter a cultura digital no dia a dia e como pensam em expandir para o restante do varejo?


Trajano: Eu comecei em 2000 o e-commerce e antes de 2017 já éramos grandes líderes no e-commerce brasileiro, provando que o e-commerce dá lucro. Nessa época, já tínhamos provado que o e-commerce multicanal tende é rentável e sustentável. O e-commerce é o futuro do Brasil.


No Magalu, a experiência é bem sucedida, mas tivemos que aprender muito. As operações puramente digitais não tinham aprendido, mas não é preciso passar por todas as dificuldades de pegar o analógico e digitalizar. A China era comunista e pulou direto para o online porque não tinha varejo. Aqui no Brasil temos 5.600 varejistas e 99% deles são analógicos. Por isso, eu queria muito compartilhar aquela experiência que desenvolvemos com essas empresas. Quero ajudar a digitalizar o país. Teve varejista que sofreu demais ou até teve que fechar as portas.


Nasser: Quais são suas apostas para os próximos cinco anos?


Trajano: Uma das minhas apostas é o social commerce. O Brasil é social por natureza. É o país que mais usa redes sociais, mas é incrível como o uso é pouco aproveitado para transação, que é o que gera emprego, venda e negócio. Na China, alguns e-commerces que surgiram há poucos anos chegaram à liderança no mercado apostando em social commerce e fazem esse mundo funcionar de forma integrada. Isso é natural do Brasil. A gente gosta de fazer as coisas juntos, de compartilhar. Precisamos integrar mais as ferramentas com as redes sociais, esse é um caminho bacana. Mas não esquecemos que o básico deve ser bem feito, entregar no prazo, entregar bom nível de serviço, troca rápida. Sempre inovar, mas fazer o arroz e feijão bem feito.


Vilela: Como foi liderar e quais lições você aprendeu nesses meses de pandemia?


Trajano: O momento é intenso e difícil. Uma coisa é a dificuldade econômica, outra coisa são suas decisões impactarem a vida das pessoas. São 44 mil pessoas nas minhas costas que poderiam adoecer. É preciso cuidado e carinho com essas pessoas, colocando as pessoas em primeiro lugar. Isso faz parte dos princípios norteadores. Primeiro é a saúde e segurança dos colaboradores. Fechamos as lojas antes de os governos decretarem o fechamento, trabalhamos protocolos para garantir que trabalhassem com qualidade.


As lojas têm rixa com o online, mas eu sempre falava para verem a importância do e-commerce e que o online seguraria seus empregos e o faturamento. E foi o que aconteceu, tanto que tive que contratar mais 4 mil pessoas.


Por último, provamos que conseguimos fazer muito mais e muito mais rápido do que imaginávamos. Na pandemia, nos obrigamos a tomar decisões mais rápido e acelerar os processos. O que demoraria anos entregamos em semanas. Tem que acreditar na capacidade de fazer acontecer e desburocratizar as decisões da companhia.


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